A Apple está prestes a cruzar um rubicão estratégico. Na segunda quinzena de fevereiro, a gigante de Cupertino deve revelar a nova face da Siri, mas o “motor” por trás da inteligência não será o silício proprietário da marca, e sim o Gemini, do Google. O que parece ser uma atualização aguardada pelos usuários é, na verdade, o reflexo de uma das maiores lacunas de inovação na história recente da empresa.
A Concessão de 1 Bilhão de Dólares
Para não perder de vez a corrida da computação espacial e dos assistentes de nova geração, a Apple aceitou pagar uma taxa anual estimada em US$ 1 bilhão para licenciar a tecnologia de seu maior rival. O analista Jon Markman, em artigo para a Forbes, definiu esse montante como um verdadeiro “imposto estratégico sobre o fracasso”.
Para Markman, esse é o preço alto que a Apple precisa pagar por não ter se preparado adequadamente para a era da computação cognitiva, criando uma dependência estrutural de um concorrente direto para manter o iPhone relevante. Ao terceirizar o “cérebro” da Siri, a Apple quebra seu dogma de ecossistema fechado: pela primeira vez, a porta de entrada da experiência do usuário no iOS será processada por servidores externos.
O Cronograma da Virada: Das Promessas à Realidade
O lançamento será dividido em duas etapas fundamentais. De acordo com informações apuradas por Mark Gurman, da Bloomberg, a Apple deve mostrar os primeiros resultados práticos dessa parceria já nas próximas semanas:
- Fase 1 (Março/Abril – iOS 26.4): A Siri ganhará a habilidade de acessar dados pessoais e compreender o contexto do que acontece na tela do usuário. Esta versão inicial, embora use o Gemini, será integrada via infraestrutura de nuvem privada da Apple.
- Fase 2 (Junho – iOS 27): Sob o codinome “Campos”, a Apple apresentará na WWDC uma arquitetura totalmente nova. Esta Siri será puramente conversacional, utilizando uma versão mais potente do Gemini (v11) processada diretamente nos servidores do Google.
Riscos e o Fator “Commodity”
A grande aposta de Craig Federighi, chefe de software da Apple, é que o consumidor final se preocupa mais com a funcionalidade do que com a origem da tecnologia. No entanto, internamente, a mudança causou um “terremoto”: talentos da área de IA deixaram a empresa e projetos proprietários foram reduzidos.
A estratégia agora parece ser tratar os modelos de linguagem como uma commodity, como o armazenamento ou as baterias. O perigo? A Siri arrisca ser sempre a “segunda melhor” implementação do Gemini, já que o Google naturalmente reservará seus recursos mais inovadores para seus próprios produtos nativos.
O Futuro após a Crise
Enquanto tenta estancar a sangria na área de IA, a Apple prepara um 2026 agressivo no hardware, com novos Macs OLED e uma possível sucessão no comando da empresa, com John Ternus ganhando força como o herdeiro de Tim Cook.
A nova Siri é uma solução de conveniência que evita a obsolescência imediata, mas deixa uma pergunta no ar: conseguirá a Apple retomar o controle do seu núcleo cognitivo ou o iPhone se tornará apenas uma tela de luxo para a inteligência alheia?
Assista às promessas iniciais da Apple
Antes da parceria com o Google ganhar força, a Apple divulgou um demonstrativo das capacidades nativas da sua inteligência. No vídeo abaixo, é possível ver recursos como o “Photo Cleanup” e as ferramentas de escrita que deram o pontapé inicial nessa jornada, será que agora vai?
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